Por Antonio Kulaif
Prezado(a),
Os últimos meses foram movimentados no cenário econômico, e nosso papel é traduzir esse ambiente de forma clara, mostrando o que de fato importa para o patrimônio da sua família e como estamos nos posicionando.
O petróleo e o alívio recente
O ponto central das últimas semanas foi o petróleo. Com a expectativa de um acordo de paz no Oriente Médio, o preço do petróleo caiu quase 19% em maio, no pior desempenho desde a pandemia. É um alívio relevante, mas pedimos atenção a uma ressalva importante: a queda veio do otimismo com uma possível solução do conflito, e não porque o fornecimento de petróleo já tenha voltado ao normal. Na prática, o transporte na região ainda não se normalizou. Isso significa que o equilíbrio segue frágil, e qualquer reescalada na tensão pode reverter esse alívio rapidamente. É por isso que evitamos nos deixar levar pela euforia do momento.
Na imagem abaixo podemos observar o comportamento do preço do petróleo brent nos últimos 5 anos.
Fonte: Trading Economics
A inflação e o efeito que ainda está a caminho
Esse movimento do petróleo importa porque ele influencia diretamente o preço dos combustíveis, do transporte e dos alimentos, e tudo isso se reflete na inflação. A guerra no Oriente Médio pressionou esses preços, e o mercado passou a projetar uma inflação acima do teto da meta do Banco Central, que é de 4,5%. Hoje, a expectativa é de uma inflação em torno de 4,92% neste ano, com a taxa de juros, a Selic, na casa dos 13,25%.
Aqui há um ponto que merece atenção. Mesmo com o petróleo recuando agora, parte dessa pressão sobre os preços ainda deve aparecer nos próximos meses. Isso acontece porque os reajustes têm um efeito retardado: o aumento de custos que ocorreu nos meses de maior tensão vai se espalhando pela economia aos poucos, chegando ao consumidor com alguma defasagem. Por isso, mesmo diante do alívio recente, mantemos os olhos atentos e o patrimônio das famílias bem-posicionado para um cenário de preços ainda pressionados.
O dólar e os pilares que sustentam o real
No câmbio, maio foi um mês de real forte. O dólar chegou a cair para cerca de R$ 4,89 no meio do mês e fechou o período na casa dos R$ 5,06. Essa força do real se apoia em dois pilares principais.
O primeiro são os juros altos aqui no Brasil. Com a Selic elevada, o país se torna atraente para o investidor estrangeiro, que traz dinheiro de fora para aproveitar esses retornos, e essa entrada de recursos fortalece o real.
O segundo é que o próprio dólar andou mais fraco no mundo todo, e o alívio recente no preço do petróleo melhorou o humor dos investidores em relação a países emergentes como o Brasil.
O ponto que queremos destacar com franqueza é que nenhum desses dois pilares depende de nós. Ambos dependem do humor dos investidores no exterior e da diferença de juros entre o Brasil e o resto do mundo, e são fatores que podem mudar rapidamente. Na nossa visão, por isso, o câmbio hoje carrega mais risco de subir do que de cair, porque basta que um desses pilares se quebre para o dólar voltar a se valorizar com força. Vemos três gatilhos capazes de provocar esse movimento:
1. Uma reescalada no Oriente Médio. Se a tensão voltar a subir, o dólar tende a se valorizar, porque o mundo corre para ele em momentos de medo, e moedas como o real costumam ser as primeiras a sofrer.
2. A política comercial dos Estados Unidos. As novas tarifas sobre importações que o governo americano voltou a propor aumentam a insegurança no comércio global, pressionam o real e afetam diretamente quem exporta a partir do Brasil.
3. O risco interno. O aumento dos gastos públicos em um ano de eleição preocupa, pode afastar o capital estrangeiro e trazer mais volatilidade ao câmbio.
POR QUE ISSO É UMA OPORTUNIDADE?
É justamente por enxergarmos esse risco com clareza que enxergamos também uma oportunidade. Com o dólar relativamente barato neste momento, abre-se uma boa janela para diversificar. Ter parte do patrimônio em moeda forte funciona como um seguro para a família: se algum desses pilares se romper e o dólar disparar, essa parcela tende a valorizar exatamente quando os ativos brasileiros podem estar sob pressão. É assim que se transforma um risco do cenário em proteção, e é esse tipo de antecipação que separa quem reage ao susto de quem já estava preparado.
Na imagem abaixo podemos observar o comportamento da paridade Dólar/Real dos últimos 5 anos.
Fonte: Trading Economics
Nossas três recomendações para este momento
Diante de todo esse quadro, três caminhos nos parecem especialmente sólidos hoje:
1) DEBÊNTURES INCENTIVADAS
Estão com taxas bastante atrativas e têm a vantagem de acompanhar a inflação oficial do país, o IPCA. Na prática, se a inflação subir mais do que o esperado, o seu investimento sobe junto, protegendo o seu poder de compra justamente no momento em que ele está mais ameaçado. Para a pessoa física, há ainda um benefício importante: esses títulos são isentos de Imposto de Renda, o que faz uma diferença real no retorno que chega ao seu bolso.
2) FUNDOS IMOBILIÁRIOS
Os juros altos pressionaram os preços desses fundos para baixo, e foi essa queda que criou uma boa oportunidade de entrada. Com os preços mais baixos, o rendimento que vem dos aluguéis está hoje na faixa de 10% a 12%, patamares bastante interessantes. Assim como as debêntures incentivadas, esses rendimentos também são isentos de Imposto de Renda para a pessoa física, o que torna a combinação ainda mais atraente para quem busca uma renda recorrente.
3) DIVERSIFICAÇÃO GLOBAL
Aqui retomamos o ponto do dólar. Aproveitar o câmbio atual para levar parte do patrimônio para fora, principalmente comprando dólares e investindo em títulos americanos, é uma forma sólida de proteger a família contra os riscos que comentamos. É a peça que dá equilíbrio ao conjunto: enquanto as duas primeiras recomendações trabalham a favor dentro do Brasil, esta garante que a família esteja protegida caso o vento externo mude de direção.
Para concluir
Reforçamos uma convicção que orienta todo o nosso trabalho: é o planejamento que nos permite atravessar momentos de turbulência como este com tranquilidade. Cenários de incerteza sempre existirão, mas a família bem planejada não precisa reagir a cada manchete. Ela já se posicionou antes, com calma e disciplina, e por isso enxerga oportunidade onde muitos enxergam apenas risco. É esse o nosso compromisso ao seu lado, em qualquer cenário.
Permanecemos inteiramente à disposição para conversar sobre como essas ideias se aplicam à realidade específica da sua família.
Cordialmente,
Antonio Kulaif, CFP
FUNDADOR & PLANEJADOR FIANNCEIRO
AKWS é um Multi-Family Office independente especializado em gestão patrimonial. Nossa abordagem combina a tradição do Private Banking institucional com a agilidade e transparência da tecnologia moderna, oferecendo às famílias um cuidado integral com seu patrimônio.